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A interminável chuva que cai sobre São Paulo e o trânsito tradicionalmente caótico da cidade são um convite a permanecer em casa. Entretanto, o show de um cara que tem como referências “os bons e eternos ‘álbuns políticos’ de Chico Buarque” desperta, no mínimo, a curiosidade de quem gosta das famosas músicas de protesto de Chico. Passei a mão no guarda-chuva e fui para o SESC Pompeia conferir a apresentação de Zé Vicente.
Em composições como "Doa a quem Doer" realmente é inegável a influência de Chico Buarque no trabalho de Zé Vicente. Porém, em "Se lixando" é imediata a associação a outro importante artista: Caetano Veloso. A maneira como a letra é construída, executada e, principalmente, a performance de Zé no palco lembram muito a atitude de Caetano na fase Cê.
Mas seria uma injustiça reduzir Zé Vicente a um sintetizador de ícones na MPB. Em "Sinal", o cantor mostra todo seu potencial como intérprete e na deliciosa "Sabores" contagia o público com sua levada carnavalesca. Seu repertório ultrapassa as fronteiras brasileiras e incluiu ainda uma delicada canção francesa inspirada em um poema de Baudelaire.
Zé Vicente ainda não tem nenhum álbum gravado, mas em seus shows são vendidos EPs com sete canções. Além de levar para casa uma mostra da boa música produzida pelo compositor-cantor, quem adquirir seu CD ainda terá nas mãos uma obra de arte. Zé Vicente também é artista plástico e assina as ilustrações do encarte.








Terça-feira, 16 de junho. Fiquei sabendo que teria show da Verônica no SESC, às 21h. Pensei: é agora! Tive prova na faculdade (que fiz num tempo recorde) e corri pra Pompeia. Quando cheguei o show já havia começado, mas consegui entrar. A maioria das pessoas estava sentada. Estranhei, afinal de contas o show era de samba, na choperia, como o pessoal conseguia ficar parado? É verdade que uns casais arriscaram uns passos em “If You Want Be a Lover”, mas como não sou nenhum Fred Astaire, resolvi me juntar à turma que ocupava as cadeiras. Confesso que foi difícil ficar parado durante as duas músicas que se seguiram, “Com mais de 30” e “Barato Total”. A primeira inédita pra mim, e a segunda, numa versão tão interessante quanto a da Gal com a Nação Zumbi. 
Para quem esperava ouvir apenas samba e jazz, gêneros que consagraram Elza Soares, a artista surpreendeu ao incluir no set list a bossa nova “Lobo Bobo” de Carlos Lyra e o funk carioca “Som de Preto.” Mas o ponto alto da apresentação foi a execução de “Vida de Bailarina” – sucesso de Ângela Maria. Além da potente e incomparável voz rouca, Elza Soares mostrou estar em ótima forma física, arrancando elogios da entusiasmada plateia. E mais, fez to mundo concordar com o que disse no programa do espetáculo: “E viva a boa música, alimento d’alma!”. 





