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Zé Vicente no SESC Pompeia – 26/01/10

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A interminável chuva que cai sobre São Paulo e o trânsito tradicionalmente caótico da cidade são um convite a permanecer em casa. Entretanto, o show de um cara que tem como referências “os bons e eternos ‘álbuns políticos’ de Chico Buarque” desperta, no mínimo, a curiosidade de quem gosta das famosas músicas de protesto de Chico. Passei a mão no guarda-chuva e fui para o SESC Pompeia conferir a apresentação de Zé Vicente.



Em composições como "Doa a quem Doer" realmente é inegável a influência de Chico Buarque no trabalho de Zé Vicente. Porém, em "Se lixando" é imediata a associação a outro importante artista: Caetano Veloso. A maneira como a letra é construída, executada e, principalmente, a performance de Zé no palco lembram muito a atitude de Caetano na fase .

Mas seria uma injustiça reduzir Zé Vicente a um sintetizador de ícones na MPB. Em "Sinal", o cantor mostra todo seu potencial como intérprete e na deliciosa "Sabores" contagia o público com sua levada carnavalesca. Seu repertório ultrapassa as fronteiras brasileiras e incluiu ainda uma delicada canção francesa inspirada em um poema de Baudelaire.








Zé Vicente ainda não tem nenhum álbum gravado, mas em seus shows são vendidos EPs com sete canções. Além de levar para casa uma mostra da boa música produzida pelo compositor-cantor, quem adquirir seu CD ainda terá nas mãos uma obra de arte. Zé Vicente também é artista plástico e assina as ilustrações do encarte.


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Ana rocks!

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Acordar cedo não é uma coisa muito fácil pra mim. Ainda mais num domingo gelado e chuvoso como o passado (26 de julho). Porém, como errar é humano, mas persistir no erro é burrice [senão entendeu nada, dê uma lida no post anterior] resolvi tomar coragem, levantei da cama e fui até o Shopping Metrô Tatuapé assistir ao show da Ana Cañas.
Já tinha ouvido duas ou três músicas dela na rádio Alpha Fm, organizadora do evento, sabia que Caetano Veloso se impressionara com sua voz, que tinha clipe na Mtv , mas pouca coisa além disso. Pensei: deve ser mais uma candidata ao cargo de nova diva da MPB. Logo que Ana subiu ao palco percebi que havia algo diferente ali. A garota magrinha usava uma camiseta dos Ramones por baixo de um casaco a la Beatles, no melhor estilo Sgt. Pepper’s. Nos cabelos cacheados, nenhuma flor de tecido (acessório comumente encontrado nas atuais cantoras de MPB). Nos lábios, muito batom vermelho (sua marca registrada) e nos pés um surrado par de All Star.




Começa o show. Os hits são poucos (só conhecia “Ana” e “Devolve Moço”, as que tocam na rádio), o que não é ruim. Ana conquista aos poucos, música por música, a cada gesto. Sua presença de palco é incrível, impressiona pelo vigor. O papo que leva com o público entre cada canção é divertido, natural, espontâneo. Entre risos e palavrões a jovem cantora demonstra ter atitude. Esperta que é, cercou-se de grandes artistas, como os ex-Titãs Arnaldo Antunes (que assina a letra de “Na Multidão”), e Nando Reis (que a convidou para gravar “Pra Você Guardei o Amor”, em seu mais recente cd, Drês). O ex-ministro Gilberto Gil gravou os violões de “Chuck Berry Fields Forever”, música composta por ele em 1976, e que na versão enfurecida de Ana Cañas ficou ainda mais pesada. Quem ajudou a garantir peso extra ao show foi o produtor musical e ex-Mutantes Liminha – que assumiu uma das guitarras.
Ah, o maluco beleza também foi lembrado. Antes mesmo que alguém gritasse “Toca Raul!”, Ana Cañas surgiu com sua versão pra “Metamorfose Ambulante”.
Achou pouco? Tudo bem que ninguém incendiou guitarras e não teve bate-cabeça, mas pra um showzinho no shopping, dedicado à família e protagonizado por mais uma ‘musa’ da nova MPB está de bom tamanho, não tá?

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Leo Cavalcanti canta Caetano & Gil

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Assim como Chico Buarque e Edu Lobo, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Gilberto Gil formam uma das duplas que mais contribuíram para a formação do cancioneiro popular brasileiro. A parceria foi, e ainda é, tão importante que, na quarta-feira, 22 de julho, o Projeto Conexões da Galeria Olido recebeu o cantor, compositor, multi-instrumentista e arranjador Leo Cavalcanti para interpretar canções clássicas de ambos de maneira criativa e peculiar. Leo é filho do compositor Péricles Cavalcanti e começou sua carreira aos 14 anos como percussionista de uma banda de música infantil do selo Palavra Cantada.
A apresentação teve um clima descontraído e intimista. A Vitrine de Dança, espaço escolhido para a o evento, contribuiu para essa atmosfera. O lugar é pequeno (acomoda no máximo 100 pessoas), não possui palco nem iluminação própria para shows, o que não chega a ser um problema. Pelo contrário! A produção, inventiva e original, utilizou materiais garimpados ali mesmo na região da Galeria – como papelão, caixotes de madeira e cocos verdes – para decorar o palco improvisado e a iluminação ficou (literalmente) nas mãos de um rapaz com uma engenhoca formada por três lâmpadas coloridas que eram movimentadas de acordo com a intensidade de cada canção.


E as canções... Não deve ter sido fácil selecionar apenas 12 músicas de um repertório tão extenso como o de Caetano & Gil. Neste quesito Leo saiu-se bem. O cantor atingiu o equilíbrio ao escolher composições de Caetano (“Alguém Cantando”), de Gil (“Era Nova”) e de ambos (“Divino Maravilhoso”). Errou algumas vezes, esqueceu a letra de “Se Quiser Falar com Deus”, mas não decepcionou. Talvez tenha apenas sentido o peso dos artistas que homenageou. Acertou na interpretação de “Fora de Ordem”, dramática no início e divertida no fim – com direito até a versos em japonês! [ou seria chinês? Ah, nem mesmo o bem-humorado Leo sabia... rsrsrs].
Aplaudido de pé pela plateia, Leo Cavalcanti se viu numa enrascada no momento do bis, já que não havia preparado nenhuma canção para o momento. A saída encontrada? Repetir “Fora de Ordem” e cantar uma música do papai – afinal de contas, era uma noite de homenagens.
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A força bruta de Rubinho Jacobina

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De acordo com os bons manuais jornalísticos, utilizar provérbios e frases de senso comum empobrece o texto. Eu concordo, afinal de contas a voz do povo é a voz de Deus, mas há momentos em que o uso desses recursos é imprescindível! É o caso da apresentação de Rubinho Jacobina, que esteve na choperia do SESC Pompeia dia 21, terça passada.
Filho do cineasta baiano Fernando Coni Campos, Rubinho prova que filho de peixe, peixinho é. Mesmo não enveredando pela sétima arte, seu DNA artístico manifestou-se cedo, só que na área musical. Assim como seu irmão, Nelson Jacobina, parceiro constante de Jorge Mautner, Rubinho destaca-se como um excelente compositor.
Integrante da Orquestra Imperial, onde canta e toca teclados, Rubinho lançou em 2005 Rubinho e a Força Bruta, seu único álbum solo até agora. No repertório estão as ótimas “Meu Gato Morreu”, “Toc Toc” e “Artista é o Caralho” que, obviamente, não ficaram de fora do show.



Talvez o Rubinho Jacobina valha-se de alguns ditados no seu dia-a-dia. Pois o provérbio Diga-me com quem andas que te direi quem és cai como uma luva sobre a formação de sua banda.
A Força Bruta não tem esse nome em vão. O power trio reúne a nata da nova música carioca: Pedro Sá (que, entre outros projetos, integra a Banda Cê de Caetano Veloso) assume o baixo; Gabriel Bubu (da banda Do Amor) toca guitarra; e a bateria fica a cargo de Domenico (do núcleo Domenico+2).
Pode parecer óbvio como chover no molhado, mas o show foi um sucesso! A apresentação de letras inteligentes, executadas com competência pela Força Bruta, somada a timidez carismática de Rubinho Jacobina só poderia dar certo. Assim como 2 e 2 são 4!

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